Expectativa é de que 8.000 portadores da doença tenham acesso ao tratamento até o final de 2013

Maurício Duch


Cerca de 500 pessoas diagnosticadas com câncer de pele não melanoma já tiveram acesso a um método eficaz e indolor na luta contra a doença. Elas fazem parte de um grupo de 8 mil pacientes que deverão receber, até o final de 2013, o tratamento gratuito contra este tipo de câncer dentro do programa “Terapia Fotodinâmica Brasil”, resultado de uma parceria entre o Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), o Hospital Amaral Carvalho (HAC) e as empresas MM Optics e PDT Pharma.
A concepção do programa foi estimulada pelo alto número de casos registrados na sociedade brasileira: segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulgados em 2010, o câncer de pele não melanoma é o tipo mais incidente entre a população do País. Apenas em 2010, mais de 110 mil pessoas contraíram a doença.
Essa alta incidência serviu de estímulo para que os pesquisadores do IFSC aprimorassem os estudos sobre os efeitos da terapia fotodinâmica (PDT) nas células tumorais. À MM Optics coube desenvolver um equipamento inovador capaz de otimizar o combate à doença a um custo acessível. Como resultado, a empresa sediada no pólo tecnológico de São Carlos (230 Km de São Paulo) criou o Lince, aparelho único no mundo que conjuga, em uma mesma plataforma, tecnologias com capacidade de realizar o diagnóstico do câncer de pele não melanoma por fluorescência óptica e tratar a doença por meio da terapia fotodinâmica (PDT).
“Após a detecção do tumor, passamos na lesão um medicamento fotossensível, desenvolvido pela PDT Pharma, que é absorvido pelas células tumorais e responsável por levá-las à morte quando iluminadas pela luz da terapia fotodinâmica. O diagnóstico e o início do tratamento podem ser feitos num único dia, o que evita problemas de logística que trazem custos tanto para o governo quanto para o próprio paciente”, explica o diretor industrial da MM Optics, Fernando Mendonça Ribeiro.
Resultados
Desde que foi implementado, no segundo semestre do ano passado, o programa “Terapia Fotodinâmica Brasil” já foi levado para cidades de diferentes estados e regiões do Brasil, como Campinas (SP), Curitiba (PR), Linhares (ES), Maceió (AL), Passos (MG), Pelotas (RS), Presidente Prudente (SP), Ribeirão Preto (SP), Rio de Janeiro (RJ), Rondonópolis (MT), Salvador (BA), além de municípios da Colômbia e do Equador.
A pesquisadora do IFSC e responsável pelo treinamento dos médicos que operam o Lince, Natália Inada, revela que os primeiros resultados estão se mantendo os mesmos da fase de testes (realizada no Hospital Amaral Carvalho), ou seja, com índice de cura superior a 90%. “Caso esse porcentual seja mantido até o final da execução do programa, a terapia será legitimada e o Lince poderá ser usado pelo SUS [Sistema Único de Saúde]”, comenta a pesquisadora.
A adoção do tratamento pelo SUS, aliás, é um dos objetivos finais do programa, que foi idealizado como contrapartida tanto da MM Optics quanto do IFSC pelos financiamentos obtidos para o desenvolvimento do Lince e aprimoramento das pesquisas sobre a terapia fotodinâmica. O desenvolvimento do equipamento teve um aporte da ordem de R$ 2,3 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Já o IFSC-USP recebeu um aporte financeiro de R$ 3,5 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para coordenar e garantir a formação dos profissionais que trabalham no programa, escolher os centros médicos para a aplicação da tecnologia, além de realizar, todos os ensaios clínicos e análise de resultados.

2 comentários:

  1. ta onde faz esse exame e como se informar sobre ele?????

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  2. onde faz esse exame e outras informações

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